Estudo clínico inédito no Brasil abre caminho para tratamento inovador de lesões na medula espinhal
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- 9 de jan.
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O Brasil acaba de alcançar um marco histórico na área da saúde e da pesquisa científica. O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram a aprovação do início do estudo clínico de fase 1 que irá avaliar o uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM) — uma condição que pode causar impactos profundos e permanentes na vida dos pacientes.

A autorização representa um avanço regulatório e científico significativo, ao viabilizar, pela primeira vez no país, o desenvolvimento de uma terapia inovadora voltada à regeneração da medula espinhal, com potencial de integração futura ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Um avanço para a ciência e para o SUS
O estudo clínico foi anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, e marca um passo importante no fortalecimento da pesquisa clínica nacional.
Segundo o ministro, a aprovação do estudo reforça o compromisso do Ministério da Saúde com a inovação e com o desenvolvimento científico dentro das universidades públicas, além de renovar a esperança de milhares de pessoas que convivem com lesões medulares agudas ou crônicas.
A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. Estudos anteriores já indicaram resultados promissores na recuperação de movimentos, o que reforçou a robustez científica necessária para o avanço à fase clínica em humanos.
Como será o estudo clínico
Nesta primeira fase, o estudo contará com cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões completas agudas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10. Um dos critérios fundamentais é que os participantes tenham indicação cirúrgica em até 72 horas após a lesão, garantindo maior segurança e controle dos resultados.
O objetivo principal da fase 1 é avaliar a segurança da aplicação da polilaminina, identificando possíveis riscos e eventos adversos. A empresa patrocinadora será responsável por todo o monitoramento clínico, assegurando a integridade e a proteção dos participantes ao longo do estudo.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma proteína presente em diversos organismos, inclusive nos seres humanos, e tem papel relevante nos processos de regeneração tecidual. A pesquisa busca compreender seu potencial terapêutico na regeneração da medula espinhal, abrindo novas possibilidades para a recuperação funcional, autonomia e qualidade de vida de pessoas com lesões graves.
Vale destacar que, antes da aprovação clínica, o projeto passou por uma longa fase de pesquisa básica e pré-clínica, com investimentos do Ministério da Saúde voltados à construção de uma base científica sólida e segura.
Inovação regulatória e soberania científica
A Anvisa informou que o estudo foi priorizado pelo Comitê de Inovação da agência, iniciativa que tem como objetivo acelerar a análise de pesquisas de alto interesse público. Como resultado, houve uma redução de cerca de 60% no tempo de aprovação de estudos clínicos nos últimos meses.
Além de ampliar o acesso a tratamentos inovadores, esse movimento fortalece a soberania científica nacional, estimula a indústria farmacêutica brasileira e posiciona o país como produtor de conhecimento relevante para a saúde global.
A importância dos estudos clínicos
Os estudos clínicos são etapas fundamentais no desenvolvimento de novos medicamentos, vacinas, dispositivos e procedimentos. Após passarem por testes laboratoriais e pré-clínicos, essas pesquisas em seres humanos avaliam, de forma progressiva, a segurança e a eficácia das soluções propostas, sempre sob rigorosos critérios éticos e regulatórios.
No caso da polilaminina, a aprovação da fase 1 representa não apenas um avanço científico, mas também um passo concreto rumo à incorporação de tecnologias inovadoras ao SUS, com foco na equidade, na ampliação do acesso e na melhoria da qualidade de vida da população.




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