Prontuário eletrônico e RNDS: como integrar o município à rede nacional de dados em saúde
A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é a espinha dorsal digital do SUS — e o prontuário eletrônico é o elo que conecta o município a ela. Sem essa integração, o município opera em um silo: atende, registra, produz — mas não se comunica com a rede nacional. E cada vez mais, essa falta de comunicação tem custos concretos: acesso a programas federais, prestação de contas e qualidade do cuidado ao paciente.

O que é a RNDS e por que ela importa para o município
A RNDS é a plataforma oficial de interoperabilidade do ecossistema de dados do SUS, criada para conectar sistemas de saúde de todo o Brasil e garantir o compartilhamento seguro e padronizado de dados clínicos entre profissionais e serviços autorizados.
Em termos práticos: quando um paciente atendido no município vai a um hospital de outra cidade, o prontuário dele pode estar disponível para os profissionais daquele hospital — se o sistema do município estiver integrado à RNDS.
Com o Decreto nº 12.560/2025, a RNDS foi oficializada como plataforma central do SUS Digital, e a transmissão de dados para ela passou a ser expectativa formal do Ministério da Saúde para todos os municípios até 2026.
O que o município precisa transmitir para a RNDS
A integração com a RNDS envolve o envio de documentos clínicos padronizados no formato FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources) — o padrão internacional de interoperabilidade em saúde adotado pelo Ministério da Saúde.
Os principais registros que precisam ser transmitidos incluem:
Sumário de Alta Hospitalar (SAI): documento gerado ao final de uma internação, com o histórico do cuidado prestado, diagnósticos, procedimentos e encaminhamentos.
Resultado de Exames Laboratoriais (REL): resultados de exames que precisam estar disponíveis para qualquer profissional que atenda o paciente.
Registro de Prescrição de Medicamentos (RPM): o modelo informacional de prescrição eletrônica para a RNDS foi consensuado em reuniões técnicas com membros do Comitê Gestor de Saúde Digital e especialistas, pactuado na CIT de 2022. A prescrição eletrônica traz benefícios como maior segurança de pacientes, redução de fraudes, aprimoramento do fluxo de dados de saúde e da qualidade no processo de prescrição e dispensação de medicamentos.
Registro de Imunizações: histórico vacinal do paciente, acessível em qualquer ponto da rede.
Contato Assistencial: registro de atendimentos realizados, com dados do profissional, unidade e data.
O que impede a maioria dos municípios de estar integrados à RNDS
Apesar da importância estratégica e da obrigatoriedade crescente, a maioria dos municípios brasileiros ainda não está plenamente integrada à RNDS. As barreiras mais comuns são:
Sistema de prontuário não compatível: sistemas antigos ou que não foram atualizados para suportar o padrão FHIR não conseguem transmitir os dados no formato exigido pela RNDS. Isso não é uma limitação do município — é uma limitação do fornecedor.
Falta de conectividade adequada: a transmissão para a RNDS exige conectividade estável. Municípios com infraestrutura de rede precária enfrentam dificuldades operacionais na transmissão.
Desconhecimento técnico: equipes de TI municipais frequentemente não têm o conhecimento técnico necessário para configurar e manter a integração com a RNDS. Isso reforça a importância de contar com um fornecedor que ofereça suporte técnico especializado.
Dados incompletos ou inconsistentes: a RNDS exige dados estruturados e de qualidade. Municípios com registros manuais ou sistemas que não padronizam os dados têm dificuldades na transmissão.
O papel do SISAB na integração da APS
Para a atenção primária, a integração com a rede nacional passa pelo SISAB — Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica. O SISAB recebe os dados de produção transmitidos pelos municípios via LEDI (para sistemas de terceiros) ou diretamente via PEC (para o sistema do Ministério da Saúde).
Para fins de integração com a base de dados do sistema de informação da Atenção Primária à Saúde, deve ser observado o modelo mais recente do padrão Layout e-SUS APS de Dados de Interface (LEDI) de comunicação entre os sistemas, conforme especificação técnica do sistema e-SUS APS.
O gestor deve verificar regularmente o painel de transmissão do SISAB para garantir que os dados do município estão sendo enviados corretamente e sem inconsistências — pois problemas de transmissão impactam diretamente os indicadores do Previne Brasil e o financiamento da APS.
Como preparar o município para a integração do Prontuário Eletrônico e RNDS
A integração com a RNDS não acontece de uma hora para outra — exige preparação em quatro frentes:
1. Auditoria do sistema atual: verificar se o sistema de prontuário em uso já suporta o padrão FHIR e a transmissão para a RNDS. Se não suportar, é o momento de avaliar a atualização ou substituição do sistema.
2. Qualidade dos dados: revisar a completude e consistência dos registros existentes. Dados inconsistentes (pacientes sem CPF, procedimentos sem código correto, profissionais sem CNS) precisam ser corrigidos antes da integração.
3. Infraestrutura de conectividade: garantir que as unidades de saúde têm conectividade suficiente para a transmissão regular de dados.
4. Capacitação técnica: treinar a equipe de TI municipal e os profissionais de saúde nas rotinas de registro que garantem a qualidade dos dados transmitidos.
ESUS+ e RNDS: integração nativa e sem complicação
O ESUS+, da A4PM, já é integrado nativamente à RNDS e ao DATASUS — com transmissão padronizada no formato FHIR e compatibilidade com o LEDI para a APS. O município que adota o ESUS+ não precisa se preocupar com a configuração técnica da integração: ela já está implementada e testada, com suporte especializado da A4PM.
Com mais de 20 anos de experiência em saúde pública municipal, a A4PM acompanhou — e antecipou — cada atualização dos padrões do Ministério da Saúde, garantindo que os municípios parceiros estejam sempre em conformidade.
Quer saber como o ESUS+ conecta o seu município à RNDS? Fale com a nossa equipe.
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